Entre formigas, imaginação e afeto: uma conversa com Bruna Wildner.
- David Queiroz

- há 11 horas
- 5 min de leitura

Entrevista com a autora Bruna Wildner sobre o lançamento do livro Perigo! Este bolo contém formigas!
Nesta entrevista, Bruna, de uma forma cordial e espontânea, fala sobre a criação do livro "Perigo, este bolo contém formigas! das relações familiares e a importância da leitura na infância.
Como surgiu a ideia de escrever Perigo! Este bolo contém formigas!?
— A ideia surgiu há muito tempo! Eu sempre gostei de compartilhar e inventar histórias para e com as crianças. Eu chamo isso de “história continuada”: muitas vezes, crio uma parte contando, e eles me ajudam a ir desenrolando a história. Mas, Perigo! Este bolo contém formigas!, surgiu há mais tempo, bem antes de eu me tornar professora. Então, resolvi contar essa história para a minha turma durante o lanche da tarde na escola, que, por sinal, era bolo formigueiro…
Eles acharam incrível! E lembraram durante meses dessa história, pedindo para que eu a recontasse. Só então veio a vontade ainda maior de tornar essa história mais emocionante, escrevendo-a e tendo-a ilustrada.
Por que você escolheu o bolo formigueiro como elemento central da história?
— Escolhi o bolo formigueiro porque foi o primeiro que aprendi a fazer ainda na infância e também porque é o meu bolo favorito.
Aurora é uma menina muito curiosa e imaginativa. Quais características da personagem você considera mais especiais?
— Aurora é uma personagem que encanta com sua imaginação. Percebemos isso logo no início da história: uma personagem que está aprendendo a se relacionar com o mundo e tendo espaço para criar e imaginar muitas possibilidades!
Acho que essa característica da personagem é muito especial, principalmente se formos olhar para a infância e notar que o imaginar é puro desenvolvimento. E, conforme vamos acompanhando o neurodesenvolvimento infantil, percebemos como o imaginar é revolucionário, especialmente na literatura e na contação de histórias que permitem uma organização interna e um impulso para a criança investigar o mundo ao seu redor.
A história apresenta uma relação muito afetuosa entre Aurora, seus avós e seu primo. Qual foi a importância da família na construção da narrativa?
— A família foi importante, pois ajudou a construir a narrativa por meio de vivências, lembranças, brincadeiras, sentimentos, aromas, sabores, texturas e cores. Foram experiências que permitiram o imaginar e o criar, algo muito presente em Aurora, e que juntos vivenciaram, construíram e criaram a partir dessa relação tão construtiva.
A imaginação de Aurora transforma as formigas em verdadeiras personagens dentro da cozinha. Como você trabalha a fantasia e o humor em seus textos para crianças?
— Como colocado anteriormente, o imaginar é revolucionário. Dentro dele, a fantasia vira possibilidade de ampliar o olhar das crianças para o mundo ao seu redor. E, na literatura infantil, também brincamos com aquilo que não seria possível na realidade, como as formigas em suas grandes formas, conforme Aurora imaginava.
Acho lindo poder provocar a pergunta: “E se fosse assim mesmo?”, trazendo risadas, dúvidas e curiosidade. Além do mais, o humor presente provoca reflexão, e a fantasia permite diferentes pontos de vista.
Portanto, um texto que possa divertir, mas também deixar perguntas, descobertas e muitas possibilidades para serem exploradas depois da leitura, é prazeroso.
O livro também apresenta brincadeiras, contato com a natureza e momentos longe das telas. Que experiências você gostaria de incentivar nas crianças por meio da leitura?
— Através da leitura, eu gostaria de incentivar nas crianças a busca por criações mirabolantes, pés descalços e um dia inteiro para desemparedar, além das telas. Que a leitura pudesse ser o começo de uma grande aventura, como sair para o quintal, observar formigas, andar descalço, resgatar brincadeiras culturais, relacionar-se com o outro e aprender uma nova receita com pessoas mais velhas.
Além disso, gostaria de incentivar a presença e a conexão em momentos de leitura: ler com alguém, escutar e ser ouvido — algo raro e precioso!
A receita da Vó Francisca faz parte da experiência do livro. Qual é a importância de aproximar a literatura de atividades práticas e afetivas, como cozinhar em família?
— Acho que a principal importância é que a literatura é como um ponto de partida. Lendo, podemos introduzir na criança novas descobertas, aprendizados e informações. E o melhor: após fechar o livro, a história pode continuar — inspirando-nos em uma receita, ensinando-nos noções de medidas, levando-nos a fazer um desenho, a participar de uma brincadeira ou a construir algo… E, quando essas coisas são feitas em família, vamos construindo memórias afetivas e vínculos.
Existe alguma lembrança da sua infância, de visitas à casa dos avós ou de receitas familiares que tenha inspirado a história?
— Sim! Quando eu era criança e visitava a minha avó, lembro que ela tinha vários livros de receitas pela cozinha, além daqueles que ela mesma escrevia. Era a minha leitura favorita, principalmente quando ela dizia: “Gostou de alguma receita? Vamos fazer?”.
Inclusive, o bolo formigueiro foi o primeiro bolo que aprendi a fazer, e foi com a minha avó. Foi esse bolo e o momento de preparar a receita que inspiraram essa história!
Que mensagem você espera que as crianças e os adultos levem após a leitura do livro?
— Eu espero que as crianças e os adultos percebam que, muitas vezes, as experiências mais simples podem se transformar em aventuras gigantes quando olhamos para elas com imaginação! Como um “simples” preparo de um bolo, que, para uma criança, no momento da preparação, pode se transformar em algo mágico.
Ainda espero que esse livro passe a mensagem de que não precisamos olhar para o momento com tanta pressa de chegar a um resultado, mas que podemos aproveitar essa nova aventura que existe pela frente.
Como se deu o seu encontro com a Editora DQUEIROZ e como foi a receptividade do editor na criação do livro?
— Conheci a Editora DQUEIROZ Edições Literárias e o ilustrador David Queiroz através de uma escritora da minha cidade, Santa Rosa. Essa escritora, Maria Inez, infelizmente faleceu há pouco tempo.
Eu tinha em mãos um livro dela publicado pela DQUEIROZ Editora e, através desse livro, encontrei a editora. Então, decidi, sem muitas expectativas de que daria certo, enviar um e-mail. Para a minha surpresa, em pouco tempo fui respondida.
Fui recebida com muito acolhimento, cuidado e respeito. Ao longo de todo o processo, pude perceber o quanto de dedicação existe! Tudo foi explicado com muita clareza, e isso trouxe uma sensação muito boa: meu sonho estava se tornando realidade!
Posso dizer, com muito carinho, que encontrei uma editora que zela pela segurança, que tem cuidado em explicar cada etapa, que acolhe, respeita e se dedica de verdade a entregar o seu melhor.
Para quem está realizando o sonho de publicar seu primeiro livro, sentir que existe uma equipe caminhando ao seu lado, orientando e cuidando de cada detalhe, faz toda a diferença.
Você tem planos para o futuro como escritora de livros infantis? Qual é o próximo sonho a ser concretizado?
— O primeiro passo, para mim, foi o mais difícil: transformar histórias que eu normalmente “só” contava para as crianças em um texto escrito e procurar uma editora para me ajudar nesse sonho de transformar em livro algo que está em mim desde a infância.
Se eu tenho planos para o futuro como escritora? Tenho, sim! Quero me dedicar cada vez mais à escrita e poder encantar cada vez mais infâncias com novos personagens e ideias mirabolantes!
Algumas ilustrações do livro infantojuvenil Perigo! Este bolo contém formigas!
Encerramento
Agradecemos à escritora Bruna Wildner pela conversa edificante e por compartilhar um pouco do universo de Aurora com os leitores.
Para acompanhar as novidades, siga Bruna Wildner no Instagram: @bruwildner Acompanhe também nossos lançamento: @dqueiroz_edicoesliteraria
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