JEAN DE NATIVIDADE - Um mestre nas alturas
- David Queiroz

- 20 de jul.
- 5 min de leitura

Jean de Natividade Figueiredo, é Segundo Sargento Especialista em Mecânica de Aeronaves da Força Aérea Brasileira, com experiência de mais de oito anos em Segurança de Voo.
Jean de Natividade é graduado em Segurança Pública pela Universidade Estácio de Sá, possui especializações em Segurança da Aviação e em Aplicações de Drones e VANT's, sendo elemento certificado do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC); é formado pelo CBMERJ e pela PMERJ na utilização de aeronaves remotamente pilotadas.
Jean fala sobre a ascensão dos veículos aéreos não tripulados (VANTs) que está redefinindo processos em setores estratégicos como logística, segurança, energia, agronegócio e infraestrutura. Declara que, ao mesmo tempo, o uso crescente dessas tecnologias tem impulsionado pesquisas interdisciplinares que buscam compreender não apenas o funcionamento técnico dos sistemas, mas também a complexa interação entre humanos e máquinas em ambientes operacionais críticos.
Vamos falar um pouco sobre o lançamento do seu livro "Fatores Humanos & Drones - Homem x Máquina nas operações aéreas não tripuladas"
1. O que motivou a escrita deste livro sobre operações com veículos aéreos não tripulados?
Depois de adquirir experiência nesse tema junto a Força Aérea Brasileira, Corpo de Bombeiros e polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ficou evidente que chegamos num ponto onde nós só estávamos olhando e tentando melhorar as formas de operar e cumprir a missa; contudo, começamos a deixar de tentar entender como o elemento humano pode influenciar essa operação e o quanto a sua suscetibilidade a falhas, erros e lapsos pode se tornar a grande causa dos problemas nesse tipo de voo. Os livros e estudos abordam quase na sua totalidade ou a operação de drones, ou os Fatores humanos em aeronaves tripuladas, se fazia necessário uma obra que unisse ambos os mundos.
2. Qual é o papel dos fatores humanos nas operações com drones, e por que eles merecem tanta atenção?
Os Fatores humanos são a base para que qualquer operação com drone seja bem sucedida. É com um elemento bem treinado, consciente de suas limitações e determinado a cumprir na prática todos os protocolos regulamentados que o sucesso de vôos seguros ocorre. Ao não levarmos em consideração a necessidade de constante melhoria nessa área, nos tornamos dependentes da tecnologia, que por melhor que seja, ainda possui suas limitações (que em grande parte podem ser minimizadas com o elemento humano capaz).
3. Como o livro equilibra teoria e prática? Ele é mais técnico, mais conceitual ou uma combinação dos dois?
Como especialista na área de segurança de voo sempre batalhei em tornar toda a parte conceitual e lúdica em algo palpável. E é isso que aconteceu nesse livro. Além de deixar diversas formas de conseguir por em prática os conceitos apresentados, existem ferramentas nos anexos que podem ser adaptadas e replicadas pelos gestores e responsáveis pelas equipes.
4. Quais setores empresariais podem se beneficiar mais com a leitura deste livro?
Todos os setores que utilizam drones como ferramenta para cumprir um objetivo podem utilizar todo o conteúdo apresentado neste livro. As instituições, civis e militares, que possuam equipes com finalidade de inspeção, vigilância, monitoramento, entre outros, vão conseguir absorver muitas possibilidades de melhoria para o seu ecossistema.
5. O livro traz estudos de caso ou exemplos reais? Pode citar algum que se destaque?
O livro traz 12 estudos de caso, direcionados para o tema abordado no capítulo, a idéia com essa metodologia é a de fazer com que o leitor consiga entender com maior clareza o que se passou e ver que a possibilidade de que ele mesmo já tenha presenciado tal situação é grande. Um dos casos mais complexos é o que envolve a aeronave da United States Air Force (USAF), ele evidencia o potencial catastrófico que o descuido com o piloto / operador de drone pode incluir na equação da segurança de voo.
6. Como a academia pode contribuir para o avanço das operações não tripuladas?
É fundamental que o meio acadêmico continue incitando novas questões e respostas. Assim como um dia tudo se iniciou para a aviação tripulad, e o espírito dos estudiosos que nos precederam fez com que chegássemos com a aviação num dos meios de transporte mais seguros e eficientes, que possamos manter essa mesma necessidade de superação para os vôos não tripulados.
7. E o setor privado? Quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas ao adotar tecnologias com drones?
O atual panorama que as operações não tripuladas possuem é de pleno desenvolvimento. Todavia, a parte de certificação, progressão operacional, condições de trabalho e de todos os pormenores que envolvem o elemento humano ainda são muito superficiais. A legislação ainda não torna obrigatório qualquer tipo de curso, não aborda a lógica de jornada de trabalho e a inclusão aos sistemas existentes é superficial. Na parte de sistemas, a adequação de interface, preparo para a entrada em situações anormais ou de emergência são quase sempre baseadas em simulação virtual. Esse livro não visa preencher todas essas lacunas, mas sim dar base para conscientizar sobre os possíveis riscos e panoramas que pode se enfrentar e como contorná-los de maneira segura.
8. Quais competências humanas são mais críticas para o sucesso em operações com drones?
É difícil conseguir estabelecer uma classificação com relação a todos os possíveis aspectos humanos que podem interferir e prejudicar uma operação. Contudo, o autoconhecimento, baseado na capacitação de boa qualidade e contínua é o fundamento chave para entendermos todas as outras competências e de uma forma organizada conseguir trabalhá-las para que possam ser expressas com qualidade.
9. O que diferencia este livro de outras publicações sobre drones disponíveis no mercado?
O livro Fatores humanos & Drones é um dos poucos estudos voltados ao piloto remoto. Ele se diferencia no fato de trazer à tona todas as nuances que envolvem o único ator da equação que pode ser capaz de intervir intencionalmente e conseguir sair de uma emergência ou causar um acidente. É uma leitura simples, mas com a profundidade necessária para fazer com que todo piloto, gestor ou entusiasta dessa área possa entender a responsabilidade atrelada a quem está envolvido no voo.
10. Que mensagem final você gostaria de deixar para o leitor?
Convido você a mergulhar nas páginas de Fatores Humanos e Drones, uma obra construída com a responsabilidade e a precisão que a segurança de voo exige. Este livro é um chamado para refletirmos sobre a importância de entender o quanto o elemento humano é importante no ambiente aeronáutico, independente do tipo de aviação, modo ou perfil. Que esta leitura inspire operadores, gestores e instrutores a transformar cada voo em um ato de excelência, prudência e respeito à vida.
Palestra - Lançamento e noite de autógrafos.
















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