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A MALDIÇÃO DO ESPÍRITO DA FLORESTA

Foto do escritor: David Queiroz
David Queiroz
há 2 horas
4 min de leitura
Entrevista com Angela Guerra: Uma história de amor com um suspense de arrepiar
Angela Guerra
Angela Guerra

Angela Guerra caminha conosco há muitos anos. No início, enviava seus textos para que ilustrássemos seus livros, publicados pela ZMF Editora. Hoje, além de ilustrar algumas de suas obras, também temos a alegria de editá-las e publicá-las. Assim, vamos construindo uma bela história de parceria, que enriquece a nossa Galeria de Autores.


O livro mais recente de Angela é A Maldição do Espírito da Floresta, uma história contada em três idiomas — francês, inglês e português — e marcada por uma forte mensagem de preservação ambiental.


Prossigamos com a nossa querida Angela Guerra!


1. Angela, de que maneira o seu imaginário pessoal contribuiu para a criação de A Maldição do Espírito da Floresta? Você se lembra de alguma imagem, sensação ou lembrança que tenha dado origem à história?

— Por ser professora de inglês, procuro sempre ler no original. A coleção Crepúsculo me fascinou tanto que, depois, assisti a todos os filmes.


Achei genial a interação dos lobisomens com os vampiros. As crianças francesas para quem escrevi o livro gostavam de lobos, mas, como meu imaginário é povoado de seres fantásticos, propus uma história de lobisomens, e elas toparam.


A preocupação com o meio ambiente ronda minha inspiração. Os fenômenos climáticos extremos me afligem, pois são consequência dos abusos dos seres humanos.

O futuro dos nossos descendentes é uma incógnita! Então, criei o Espírito da Floresta e iniciei a trama com um avô predador.


2. O que a fascina nas lendas que atravessam gerações, mesmo quando pertencem ao campo do fantástico e do inexplicável?

— Dois aspectos me fascinam nas lendas. Primeiro, a criatividade dos povos antigos ao buscarem explicações para as coisas, os fenômenos etc. Segundo, justamente o fantástico e o inexplicável, que muito me atraem — e não apenas nas lendas.


3. Ao criar o Espírito da Floresta, você o imaginou como uma entidade realmente existente dentro da narrativa ou como uma representação simbólica da força da natureza?

— É uma pergunta difícil de responder. Talvez seja uma simbiose. Imaginei o Espírito como personagem, mas, sem sombra de dúvida, ele representa simbolicamente — ou não — uma poderosa força da natureza.


4. A história apresenta a maldição como consequência das atitudes humanas contra a floresta. Você acredita que os seres humanos ainda recorrem às lendas para explicar ou enfrentar aquilo que não conseguem compreender?

— Creio que as lendas estão mais ligadas à ignorância. Quanto mais desenvolvido intelectualmente for o indivíduo, menor será sua dependência de explicações fantasiosas para os fenômenos.


5. O avô de Christophe transforma a floresta em objeto de diversão e destruição. A maldição, nesse sentido, pode ser compreendida como uma espécie de justiça da natureza? Como você enxerga essa relação entre culpa, castigo e responsabilidade humana?

— Apesar de se constituir em castigo, imaginei a maldição mais como justiça. O avô de Christophe só sentiu culpa quando o Espírito da Floresta lançou sobre ele sua maldição. E o fato de a maldição recair sobre seu filho foi um golpe mortal.

Foi então que todos os seus atos irresponsáveis cessaram. A culpa fez com que a infelicidade se abatesse sobre ele.


6. A metamorfose do pai de Christophe revela uma divisão entre sua natureza amorosa e sua face violenta. Essa dualidade representa algum conflito presente na própria condição humana?

— O pai de Christophe tem boa índole. Somente quando assume a forma de lobisomem é que a maldade se manifesta nele, mas isso não faz parte de sua natureza humana. No entanto, acredito que essa dualidade esteja presente no ser humano.


Alguns tendem para o bem; outros, para o mal. Talvez, em muitos casos, isso possa ser mudado por meio da criação, dos modelos oferecidos e das oportunidades.


7. A mãe de Christophe conhece a história do companheiro, sente medo, mas decide permanecer ao lado dele. O amor, na narrativa, parece desafiar a força da maldição. O que essa escolha revela sobre a capacidade humana — ou dos seres vivos — de conviver com aquilo que não consegue mudar?

— O ser humano geralmente tem dificuldade em conviver com o que não consegue mudar. Pode passar a vida tentando! Mas o amor é uma força muito poderosa; move montanhas! Pode trazer aceitação, apesar dos dissabores.


8. Angela, por que escolheu a idade de 16 anos como o momento decisivo para Christophe? Essa passagem representa apenas uma transformação física ou também simboliza a entrada em uma fase de consciência, responsabilidade e escolhas?

— Tomei como referência a Inglaterra, onde essa idade é decisiva para o adolescente criar asas e começar a assumir a responsabilidade de viver sozinho, sem o apoio da família. Aqui no Brasil, assim como na Itália, esse momento é adiado.


9. Sem revelar o desfecho, que reflexão a senhora espera provocar nos leitores: devemos compreender as lendas apenas como histórias fantásticas ou também como formas antigas de preservar a memória, explicar o mundo e alertar a humanidade sobre as consequências de seus atos?

— As lendas são, sim, histórias fantásticas. Sem o avanço da ciência, os antigos procuravam explicar os fenômenos por meio delas.


Imaginei o cenário como os domínios do Espírito da Floresta! Assim como o clima, hoje em dia, parece ter um “Espírito Justiceiro” por trás das enchentes, dos tsunamis, dos furacões etc.


Afinal, o ser humano vem agredindo a natureza há muito tempo… Não chega a ser uma vingança; entendo-a como uma contrarreação à ação humana.

Espero que as pessoas reflitam sobre os danos que vêm sendo causados ao meio ambiente.


É um trabalho de formiguinha, mas, se cada um fizer a sua parte — por exemplo, fechar a torneira ao escovar os dentes e tentar zerar o uso de plásticos e descartáveis —, o mundo pode melhorar muito.


Faz-se mister despertar a consciência do ser humano para que proteja os recursos naturais, a flora, a fauna; enfim, o mundo ao seu redor!


Aproveito este momento especial para deixar meu grito de alerta em forma de versos, por meio do soneto “Pobre Gaia”.

POBRE GAIA!

Angela Guerra


A floresta vibrante do passado, animais em seu habitat, felizes; a força pujante de suas raízes, comida farta, água límpida ao lado…

 

Hoje, a mata, tesouro abandonado, lamenta a perda de tantas raízes, os animais que restaram, infelizes, as clareiras, o desmate acelerado…

 

Que será que pensa o Homem predador? Que tais ações não terão consequência quando inflige à floresta tanta dor?

 

Toda a rica fauna, toda a rica flora

devemos tratar com respeito e amor.

Não haverá volta… A hora é agora!



 
 
 

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