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ENTRE A TEORIA E O CHÃO DA CASA

  • Foto do escritor: David Queiroz
    David Queiroz
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura
Cátia Nascimento, neuropsicopedagoga e escritora, apresenta seu primeiro livro Entre a Teoria e o Chão da Casa, que aborda a educação infantil sob a perspectiva da neuropsicopedagogia — área que estuda o funcionamento do cérebro e sua influência na aprendizagem, propondo estratégias alinhadas ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

1.     Como nasceu a ideia de escrever Entre a Teoria e o chão da casa e em que momento da sua trajetória profissional você sentiu que esse livro se tornou necessário?


A ideia do livro nasceu a partir do meu contato direto com as famílias. No dia a dia dos atendimentos, fui percebendo o quanto os pais vivem um “corre-corre” constante, tentando dar conta de múltiplas demandas, ao mesmo tempo em que carregam a responsabilidade de educar seus filhos.


Nesse contexto, senti a necessidade de criar um material de fácil acesso, que pudesse ser consultado em diferentes momentos do dia, respeitando o tempo real das famílias. Um conteúdo prático, ilustrativo e acolhedor, que não gerasse mais cobrança, mas apoio.


Esse livro nasceu, principalmente, do entendimento de que os pais também precisam de cuidado. Quando cuidamos de quem educa, transformamos o ambiente onde a criança se desenvolve.


2.     De que maneira sua formação em neuropsicopedagogia influenciou a organização dos conteúdos e a forma de dialogar com pais, professores e famílias?


A minha formação em neuropsicopedagogia foi essencial para estruturar o conteúdo do livro e a forma como dialogo com pais, professores e famílias.

Muitas vezes, os adultos não têm clareza sobre como o cérebro da criança funciona. É comum olharem apenas para o comportamento, sem compreender que ele é um reflexo — um espelho — do que o cérebro já conseguiu organizar ou ainda não conseguiu desenvolver.

Ao trazer explicações acessíveis sobre esses processos, consigo ampliar a compreensão dos adultos, reduzir julgamentos e favorecer intervenções mais assertivas e respeitosas com o desenvolvimento infantil.


3.     Quais experiências concretas, vividas no atendimento a crianças, famílias e escolas, mais impactaram a construção desta obra?


Uma das experiências mais marcantes na minha prática foi perceber o quanto a imaturidade neurológica ainda é, muitas vezes, interpretada como problema — e não como parte do processo natural do desenvolvimento.


Isso gera expectativas irreais sobre a criança e, consequentemente, frustrações nos adultos. Ao longo dos atendimentos, ficou evidente para mim a importância de ajudar as famílias a compreenderem o tempo do desenvolvimento, respeitando etapas e individualidades.


Essa percepção atravessa toda a construção do livro.


4.     Ao escrever sobre desenvolvimento infantil e aprendizagem, quais foram os principais desafios em traduzir conceitos teóricos em orientações aplicáveis ao cotidiano da casa e da escola?


O maior desafio não está na falta de informação, mas na aplicação desse conhecimento no dia a dia das famílias.


Na prática, muitas vezes é necessário, antes de tudo, reorganizar a dinâmica familiar — ajustar rotinas, alinhar expectativas e fortalecer o papel dos adultos — para que o conhecimento realmente faça sentido e possa ser colocado em ação. Sem essa base, a teoria não se sustenta. Por isso, o livro busca não apenas ensinar, mas também ajudar as famílias a se estruturarem de forma mais funcional.


5.     Em que aspectos você percebeu que a teoria sobre neurodesenvolvimento precisou ser “revisada” ou adaptada à luz da realidade das famílias com as quais você trabalha?


A convivência com as famílias me mostrou que a teoria, por si só, não dá conta da complexidade da vida real.


As dores, limitações, histórias e, muitas vezes, a falta de acesso à informação exigem uma adaptação constante do conhecimento técnico. Foi ouvindo essas famílias que percebi a necessidade de traduzir a teoria em uma linguagem mais acessível, sensível e aplicável.


O livro é resultado desse encontro entre ciência e realidade.


6.     Como sua própria experiência pessoal, enquanto adulta que também lida com cansaço, limites e emoções intensas, atravessa a escrita deste livro?


Minha própria experiência como adulta, que também lida com cansaço, limites e emoções intensas, atravessa diretamente a escrita do livro. Ela se manifesta na sensibilidade, na empatia e no cuidado com a forma como me comunico. Não escrevo de um lugar distante, mas de alguém que também vive desafios e compreende a complexidade da vida cotidiana.


Essa soma entre experiência profissional e vivência pessoal dá vida às páginas do livro.


7.     Que lugar este livro ocupa na sua trajetória profissional: você o enxerga como síntese de um caminho percorrido, como início de uma nova fase ou como um convite a novas perguntas?


Vejo este livro como um convite a novas perguntas. Acredito que o conhecimento é cíclico. A cada dia surgem novos desafios, novas compreensões e novas possibilidades de olhar para o desenvolvimento humano.


Mais do que um ponto final, este livro representa uma continuidade — uma caminhada que permanece aberta ao aprendizado.


8.     Que compreensão sobre o cuidado com a infância e com os adultos que a conduzem você espera fortalecer em professores, pais e responsáveis a partir desta leitura?


Espero fortalecer a compreensão de que, para cuidar e educar uma criança, o adulto também precisa se olhar e se respeitar. Não se trata de perfeição, mas de disponibilidade para enfrentar o processo. Muitas vezes, os desafios na educação da criança não falam apenas sobre ela, mas sobre a história, as emoções e as vivências do próprio adulto.


Quando esse olhar se amplia, a relação se transforma.


9.     Ao olhar para o conjunto da obra, que capítulo, conceito ou história considera mais representativo da mensagem central que deseja comunicar? Por quê?


Todos os capítulos foram construídos para dialogar diretamente com o cotidiano das famílias, de forma objetiva e aplicável.


No entanto, tenho um carinho especial pelo capítulo 15 — “Antes de educar, é preciso se olhar” — porque ele toca em um ponto central que, muitas vezes, é negligenciado.


Grande parte dos conflitos na educação acontece justamente pela falta desse olhar interno. Quando o adulto se reconhece no processo, a forma de educar se transforma profundamente.


10. Se pudesse resumir em uma frase o propósito deste livro para a família e a escola, que frase seria e o que ela revelaria sobre sua visão de educação?


Entre a teoria e o chão da casa, a transformação começa quando o adulto se olha com consciência e educa com presença.

— Essa frase revela uma visão de educação que vai além de técnicas e orientações prontas. Ela mostra que o verdadeiro ponto de transformação não está apenas na criança, mas no adulto que a acompanha.


Ao dizer “entre a teoria e o chão da casa”, a frase reconhece que existe uma distância real entre o que se aprende e o que se vive no cotidiano. E é justamente nesse espaço — muitas vezes desafiador — que a educação acontece de verdade.


Quando trago “o adulto se olha com consciência”, estou reforçando que educar exige um movimento interno: reconhecer limites, histórias, emoções e padrões que influenciam diretamente a forma de cuidar e orientar a criança.


E ao finalizar com “educa com presença”, destaco que não se trata de perfeição ou controle, mas de disponibilidade genuína — estar inteiro na relação, construindo vínculos e aprendizados no dia a dia.


Essa frase, portanto, revela uma educação mais humana, consciente e relacional, onde o desenvolvimento da criança está profundamente conectado ao crescimento do adulto.


Livro ENTRE A TEORIA E O CHÃO DA CASA
Breve lançamento. Aguarde. 

 
 
 

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