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NADA É EM VÃO

Foto do escritor: David Queiroz
David Queiroz
há 18 horas
6 min de leitura
Uma trilogia que interliga corpo, alma e espírito.
Marcello Nascimento - Escritor
Marcello Nascimento - Escritor

Diariamente, minha mesa de trabalho se transforma em um altar onde não se depositam apenas processos jurídicos, mas também vidas feridas em busca de justiça. No entanto, o Espírito Santo me ensinou a enxergar além dos autos. Por trás de cada demanda legal existe uma alma sedenta por algo que nenhum tribunal terreno pode oferecer: a perfeita justiça que emana do trono da graça.


Foi nesse encontro entre a justiça dos homens e a misericórdia de Deus que o Senhor começou a depositar em meu coração palavras que transcendiam minha própria capacidade. Palavras que não nasciam do intelecto humano, mas da revelação progressiva de Sua Palavra. Palavras que eram, na verdade, ecos da voz do Altíssimo reverberando através de um vaso de barro.


Escrever um livro nunca foi um projeto pessoal nem resultado de uma ambição literária. Simplesmente aconteceu. As mensagens surgiam com intensidade em meu coração e em minha mente, sem qualquer planejamento prévio. Vinham enquanto eu caminhava pelas ruas, durante o banho, no silêncio do meu quarto, a qualquer hora e em qualquer lugar.


Eu sabia que não deveria guardar aquilo apenas para mim. Sabia que cada mensagem tinha um destino e que, em algum lugar, havia uma alma sedenta aguardando aquela palavra.


Assim, as mensagens passaram a ser compartilhadas por meio do WhatsApp. Para minha surpresa, a receptividade foi extraordinária. Pessoas começaram a beber dessa fonte, abrindo seus corações e compartilhando suas experiências. Tive a alegria de testemunhar vidas sendo edificadas e o nome de Deus sendo glorificado por meio dessas mensagens diárias.


Logo compreendi que aquelas palavras não procediam de mim, do meu entendimento, das minhas elucubrações pessoais. Elas vinham do coração de Deus.


Não me considero o autor propriamente dito - existo como autor por mera formalidade editorial. Sou apenas um instrumento nas mãos do Senhor Jesus, um servo a quem foi concedido o privilégio de compartilhar aquilo que recebe da Fonte verdadeira.


Não é nada fácil, pois aquilo que sangra é cortado primeiramente em mim.


A iniciativa de transformar as mensagens em livro partiu do meu irmão em Cristo, David Queiroz, editor que acreditou e me conduziu à realização do projeto editorial Nada é em vão, em 3 volumes.


O projeto contou com a coordenação fundamental de minha esposa, Cátia Nascimento, e de meu filho, Matheus Nascimento, cuja dedicação foi indispensável na realização deste trabalho.


Pela provisão e pela graça de Deus, também não posso deixar de mencionar aqueles que ajudaram a construir os alicerces espirituais da minha caminhada:


À honrada memória do Pr. Mauro Israel Moreira (in memoriam), pastor, intercessor, amigo e discipulador durante minha juventude. Foi instrumento nas mãos do Arquiteto Divino para lançar fundamentos que ainda sustentam minha jornada.


Ao Pr. Manoel Silva, pastor, intercessor, amigo e conselheiro nesta etapa da maturidade. Sua presença tem sido usada por Deus para alinhar paredes, corrigir prumos e fortalecer as vigas invisíveis da alma.


E ao Pr. Samuel Silva, que tem estendido suas mãos em oração, amizade e pastoreio, sendo também instrumento precioso da graça de Deus em minha vida.

Se estas palavras alcançarem seu coração, toda honra, toda glória e todo louvor pertencem exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo, Autor e Consumador da nossa fé.


  1. Como você vê a obra final Nada é em vão, transformada numa trilogia?


— A trilogia é fruto de reflexões sobre a caminhada com Deus e sobre os processos que atravessamos ao longo da vida. Muitas experiências parecem não ter sentido enquanto estão acontecendo, mas, quando contempladas à luz da fé, revelam que Deus estava presente em cada etapa. A sequência de três livros são como camadas que se interpõem conduzindo o leitor a uma experiência mais profunda com Deus, até atingir a maturidade da caminhada aonde Deus trata cada individuo de forma única.


Nada é em Vão é uma afirmação de confiança: creio que Deus pode redimir dores, esperas, perdas, dúvidas e recomeços, transformando cada experiência em parte de uma história maior.


  1. O termo "deserto" é uma constante em cada volume. Qual a importância deste conceito na vida com Deus?


— O deserto representa os períodos de aridez, silêncio, espera, dor e incerteza. São momentos em que nossas referências são confrontadas e aprendemos a depender menos de nós mesmos e mais da presença de Deus.


O deserto não deve ser romantizado, pois há experiências realmente dolorosas. Contudo, ele também pode tornar-se um lugar de encontro, amadurecimento e transformação. Mesmo quando não vemos, Deus continua trabalhando.


  1. Como lidar com o mistério de um Deus presente e quando as respostas às aflições tornam-se ausentes?


— A fé não elimina todas as perguntas, mas nos ensina a caminhar com Deus mesmo quando ainda não compreendemos tudo. Deus não despreza nossos questionamentos, por vezes absurdos, Ele nos refina e nos sensibiliza para ouvir as respostas que nem se quer percebemos.


O mistério não precisa ser um muro que nos separa do Senhor; pode ser um convite à confiança, à humildade e à intimidade. Há respostas que recebemos ao longo da caminhada e outras que talvez só compreenderemos mais adiante. Não interprete o silêncio de Deus como abandono. O fato de você não perceber a ação de Deus não significa que Ele esteja ausente. Há processos que acontecem no secreto e só são compreendidos com o passar do tempo. Continue buscando, mesmo com pouca força. Leve suas perguntas a Deus, descanse na graça e dê um passo de cada vez. O deserto não é o destino final; Deus ainda pode fazer brotar vida onde tudo parece seco.


  1. Como a cruz se relaciona com a liberdade do cristão?


— A cruz revela que a reconciliação com Deus não é conquistada pelo desempenho ou merecimento humano. Em Cristo, a dívida é quitada, o perdão é oferecido e a esperança é restaurada.


A verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que desejamos, mas em deixar de ser governados pela culpa, pelo medo, pela escravidão do pecado e pela necessidade de provar o nosso valor. A autonomia humana afirma que somos suficientes em nós mesmos e que não precisamos de direção. A liberdade cristã reconhece que fomos criados para viver em relacionamento permanente com Deus. A cruz é o símbolo dessa restauração.


Ser livre, segundo a perspectiva do Evangelho, é poder viver conduzido pelo Espírito Santo, não mais dominado pelo peso da escravidão. É uma liberdade que produz responsabilidade, amor, obediência e maturidade.


  1. Nas reflexões sobre o livro de Salmos, destacamos o Salmo 23 como uma referência importante para a restauração da alma. Como você entende o agir de Cristo como um Pastor permanente?


— O Salmo 23 apresenta Cristo como o Bom Pastor que cuida, alimenta, conduz, protege e restaura. Essa imagem revela que a graça não apenas perdoa; ela também acompanha a pessoa em sua caminhada. Mesmo quando atravessamos vales escuros, não estamos abandonados. O Pastor continua presente, oferecendo direção e descanso.


A restauração da alma é um processo no qual Deus nos conduz com cuidado e paciência.


  1. Você trata com muita propriedade o paradoxo de uma vida deformada pelo pecado testemunhar sobre a redenção sem apresentar uma imagem de perfeição. Fale um pouco sobre esse dilema.


— Testemunhar não é afirmar que nunca falhamos, que não enfrentamos dúvidas ou que não passamos por lutas. É revelar que, mesmo em meio às limitações, fomos alcançados e sustentados pela graça de Deus, através de Jesus Cristo, Seu filho.


O testemunho não é uma apresentação de perfeição, mas a evidência de uma transformação. Ele mostra o que Deus fez, está fazendo e continuará fazendo em uma vida que se entrega a Ele.


  1. O que significa ter esperança eterna em meio ao sofrimento?


— A esperança eterna não é uma fuga das dificuldades do presente. É a certeza de que a dor, a morte e a injustiça não terão a palavra final.


Essa esperança sustenta a perseverança e dá sentido à fidelidade de cada dia.

A ressurreição de Cristo é a base dessa esperança. Por causa dela, podemos continuar caminhando mesmo quando ainda não enxergamos a totalidade do que Deus está fazendo.


  1. Falando em esperança, o que você vislumbra alcançar com esta trilogia?


— Espero alcançar pessoas que têm sede de Deus, que atravessam períodos de deserto, que carregam culpas, enfrentam dúvidas ou desejam compreender sobre a graça e a presença do Senhor. Espero ainda alcançar aqueles que nunca desejaram ou sonharam em ter uma vida plena com Deus, ainda que surdos e cegos do maior patrimônio que um ser humano possa alcançar aqui na Terra: a salvação e o registro no Livro da Vida.


Também desejo que a obra alcance aqueles que já caminham na fé, mas precisam ser renovados, consolados e lembrados de que Deus continua presente em todos os processos.


  1. Considerando a realização do encontro real com Deus, o que você gostaria que acontecesse com o leitor após a leitura da trilogia completa?


— Gostaria que o leitor não apenas compreendesse algumas verdades, mas permitisse que elas alcançassem o coração e se transformassem em vida prática. Que a busca o leve à presença, que a presença produza transformação, que a transformação se torne testemunho e que o testemunho permaneça firmado na esperança.


A leitura termina, mas a caminhada com Deus continua.



Para adquirir a coleção completa ( 3 volumes): Editora


Compra de volumes individuais: Uiclap


Você também pode encomendar o seu livro diretamente com o autor: nascimentomarcello06@gmail.com



 
 
 

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